Pesquisa realizada na Finlândia mostra a importância de cuidar do corpo desde a adolescência. Segundo o estudo, adolescentes acima ou abaixo do peso tiveram menos filhos quando chegaram à idade adulta. O excesso de gordura pode causar alteração na produção de hormônio.

Os cuidados com o corpo para evitar problemas de fertilidade devem começar cedo, ainda na adolescência. Um estudo feito por cientistas europeus e publicado no periódico Epidemiology reforçou essa idéia ao mostrar que adultos que foram obesos ou tiveram déficit de peso quando jovens tiveram menos filhos que aqueles com o peso considerado normal.

A pesquisa acompanhou 1.300 finlandeses entre 1980, quando eram adolescentes e tinham idades entre 12 e 18 anos, e 2001, quando tinham entre 33 e 39 anos. O pior desempenho foi registrado por aqueles que eram obesos, pois tiveram um número de filhos entre 32% e 38% menor que pessoas com peso normal. Na segunda pior colocação, ficaram adultos que tinham déficit de peso quando jovens, com 10% a 16% menos filhos. Os que tiveram apenas sobrepeso ficaram entre 4% e 8% abaixo. O peso na idade adulta não foi considerado.

Para Edson Borges Júnior, especialista em reprodução humana, os resultados mostram que “a adolescência talvez seja a hora mais importante para que se tenha uma atenção especial com a saúde”. Segundo ele, apesar de não significar que os participantes da pesquisa tiveram obrigatoriamente algum problema de esterilidade e de analisar dados apenas até os 39 anos, “o estudo chama a atenção para os problemas que o peso alterado podem causar na juventude”.

Homens e mulheres
Nos homens, é na puberdade que o hormônio testosterona atua nos órgãos reprodutores, estimulando a produção dos espermatozóides. Se o jovem for obeso, o excesso de gordura pode fazer com que enzimas atuem na produção de hormônio feminino. “Acontecendo durante a puberdade, a pessoa terá a produção reduzida provavelmente pela vida inteira”.

Nas mulheres, uma das principais causas da infertilidade é a síndrome dos ovários policísticos. O problema pode provocar aumento de peso e desregular os ciclos menstruais e reprodutivo, segundo Tsutomu Aoki, chefe do Departamento de Obstetrícia e Ginecologia da Santa Casa de São Paulo. Aoki diz que se a menstruação atrasar e for muito irregular, mesmo após dois ou três anos da menarca (a primeira menstruação), o ideal é procurar um médico.

Pesquisa feita por universidades européias, entre elas a de Helsinki, mostrou também que jovens que tiveram déficit ou excesso de peso tiveram menos chances de ter vivido com um parceiro, o que ajudaria a explicar o número menor de filhos. Mas para Aoki, peso não é determinante nesse aspecto.

Déficit pode afetar a menstruação
Se de um lado o excesso de peso pode causar problemas de fertilidade, o déficit também é capaz de gerar conseqüências. Anoréxicas, atletas de alta performance - como maratonistas - e pessoas com desnutrição são candidatas a ter problemas de menstruação.

Segundo o ginecologista Tsutomu Aoki, uma pessoa que pratique esportes de forma muito intensa sofre um problema hormonal, reduzindo a produção dos hormônios precursores do estrógeno, e pode ter seu ciclo reprodutivo afetado. “Algumas atletas maratonistas nem menstruam”, diz. A carência de alimentos também pode dificultar a regulação do ciclo menstrual além de inibir a ovulação.

No caso dos homens, tanto a obesidade quanto a desnutrição afetam a qualidade e a quantidade de espermatozóides, segundo o especialista em reprodução humana Edson Borges Júnior. Dados do IBGE, referentes aos anos de 2002 e 2003, mostram que 5,8% dos brasileiros entre 10 e 19 anos tinham peso abaixo do normal. Pela escala usada pelo instituto, 10,4% tinham sobrepeso e 17,9% tinham excesso de peso. (Folhapress)

TIRA-DÚVIDAS

1. Em que idade começam os problemas que podem influir futuramente na fertilidade?
Se não forem hereditários, alguns problemas podem formar raízes na pré-adolescência, principalmente entre os 9 e os 12 anos. É nessa faixa que as meninas costumam ter a primeira menstruação e os meninos começam a produzir espermatozóides.

2. Como os pais devem proceder?
O ideal é que os pais levem o filho a um endocrinologista nesse período, principalmente se for notada alguma alteração muito grande de peso ou então um ciclo menstrual muito irregular quando já se passaram pelo menos dois anos da primeira menstruação.

3. Uma dieta ajuda a evitar problemas futuros?
Sim. Regular o peso é uma forma de evitar uma quantidade excessiva de gordura no corpo e disfunções hormonais. Uma alimentação pobre pode inibir a ovulação e reduzir a qualidade e a quantidade dos espermatozóides.

4. O anticoncepcional é sempre a melhor saída para regularizar o ciclo menstrual?
Não. Ele deve ser receitado por um médico de acordo com o diagnóstico de cada paciente. Seu uso indiscriminado pode maquiar alterações metabólicas como a síndrome dos ovários policísticos ou um hipotiroedismo.

Fonte: Márcio Pinho da Folhapress
29/09/2007